O dia em que os portugueses cresceram 3 centímetros

Comemoram-se, hoje, 23 anos sobre a data da entrega do Prémio Nobel a José Saramago, o único escritor de língua portuguesa a quem, até ao momento, foi concedido o mais prestigiado de todos os galardões literários. Conforme na altura declarou o secretário da Academia Sueca, o Prémio Nobel assinalou, em José Saramago, a “capacidade de tornar compreensível uma realidade fugidia com parábolas sustentadas pela imaginação, pela compaixão e pela ironia”.

Foi na tarde de 10 de dezembro de 1998, na Casa dos Concertos, em Estocolmo, que decorreu a sessão solene de entrega do Prémio Nobel da Literatura. No mesmo dia em que se assinalava a assinatura da Declaração Universal de Direitos Humanos, Saramago, no Discurso pronunciado no Banquete Nobel, alertou para a multiplicação das injustiças no mundo, para o agravamento das desigualdades, o crescimento da ignorância e a propagação da miséria, afirmando que se chega “mais facilmente a Marte neste tempo do que ao nosso próprio semelhante”.

Oriundo de uma “família de gente muito pobre, camponesa e analfabeta, numa casa onde não havia livros e em circunstâncias económicas que não [lhe] teriam permitido entrar na universidade”, como afirma numa entrevista, Saramago tornou-se um dos autores portugueses com maior nível de internacionalização editando obras em mais de 30 países.

José Saramago encarou este prémio como pertencendo a todos os portugueses num dia em que, nas suas próprias palavras, “os portugueses cresceram três centímetros – todos nós nos sentimos mais altos, mais fortes, mais formosos até”.

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