AE Arouca foi parceiro na conferência que debateu o lugar do ensino profissional no desenvolvimento empresarial do território
A conferência “Da Escola à Indústria, construindo o Profissional do Futuro” visou fomentar o debate sobre a importância de um ensino profissional mais qualificado e ajustado às necessidades das empresas e da região.
O Agrupamento de Escolas de Arouca foi um dos parceiros da importante conferência “Da Escola à Indústria, construindo o Profissional do Futuro”, que decorreu no dia 27 de setembro, no espaço da “Exposição Empresarial e Empreendedorismo”, no âmbito do programa do 80º aniversário da Feira das Colheitas. Organizada pela Associação Empresarial de Cambra e Arouca (AECA), a conferência, que teve também como parceiro o Município de Arouca, «visou fomentar o debate sobre a importância de um ensino profissional mais qualificado e ajustado às necessidades das nossas empresas e da região.»
A abertura do evento ficou assinalada por um momento musical a cargo do estudante Afonso Ferreira e pela projeção de vídeos ilustrativos do setor empresarial de Arouca e do rol de atividades e projetos desenvolvidos pelos cursos profissionais da Escola Secundária de Arouca. No debate que se seguiu, conduzido por Isabel Lança, presidente da Ordem dos Engenheiros da Região Centro (OERC), foram oradores, num primeiro painel, o presidente da direção da AECA, empresário Carlos Brandão, o presidente da Ordem dos Engenheiros da Região Norte (OERN), Bento Aires, a vice-presidente da Câmara Municipal de Arouca, Cláudia Oliveira, e a diretora do Agrupamento de Escolas de Arouca, professora Amélia Rodrigues.
«As empresas procuram cada vez mais jovens com formação profissional»
«Precisamos de profissionais a todos os níveis, os cursos profissionais não são nenhum fator limitador para os alunos. Neste momento o mercado precisa muito destes profissionais que estão mais aptos para chegar ao trabalho e entregar resultados com mais rapidez. A formação deve ser de elevada qualidade e capaz de responder às necessidades das empresas. Os alunos dos cursos técnicos não são ‘menos capazes’; pelo contrário, estão a desenvolver competências essenciais que lhes dão uma enorme vantagem no mercado de trabalho», começou por destacar o representante da Ordem dos Engenheiros.
Ideias que foram partilhadas pelo presidente da AECA, que frisou a necessidade de promover ajustamentos entre o saber e o saber-fazer que se aprende nas escolas e as necessidades do tecido empresarial. «O mundo do trabalho está a mudar a uma velocidade sem precedentes, e a educação tem de acompanhar essa evolução, preparando os jovens para os desafios que enfrentarão. A questão não é apenas sobre adquirir conhecimento, mas sim sobre a aplicação prática desse conhecimento no mundo real», referiu o empresário. «Atualmente as empresas procuram cada vez mais jovens que estejam preparados para o trabalho prático, e o ensino profissional é a via mais direta para alcançar essa preparação. Quem opta pelos cursos profissionais tem a oportunidade de aprender fazendo», vincou ainda Carlos Brandão.
«A nossa escola tem investido significativamente na valorização do ensino profissional»
Na sua intervenção, a diretora do AE Arouca deu destaque ao investimento que a escola tem feito na diversificação da oferta educativa e na valorização do ensino profissional. «A nossa escola tem investido significativamente na formação profissional dos alunos. O ensino profissional abre as mesmas portas que os alunos têm nas vias científico-humanísticas. Temos vários exemplos de alunos que passaram pelos cursos profissionais e que decidiram prosseguir os estudos em cursos de formação pós-secundário ou no ensino superior. Por outro lado, ainda mais importante, é que os alunos que concluem os cursos profissionais, mesmo não enveredando por essas vias, têm colocação quase imediata no mercado no trabalho. Os jovens que seguem o ensino profissional apresentam taxas de empregabilidade muito elevadas. Muitas são as empresas que oferecem estágios aos alunos e que resultam em contratos de trabalho após a conclusão do curso. A componente prática é fundamental – os alunos chegam às empresas e sabem “pôr a mão na massa”, o que não retira valor à componente teórica, pois estas duas dimensões do conhecimento complementam-se», realçou a diretora do agrupamento que, nesta altura, tem 45% dos alunos do ensino secundário matriculados em cursos profissionais.
«É preciso acabar com o estigma que desvaloriza quem escolhe cursos profissionais»
Na conferência que contou, na audiência, com forte presença de alunos dos cursos profissionais da Escola Secundária de Arouca e também de alunos do AE de Escariz, foi ainda considerada, por unanimidade, a necessidade de continuar a mudar mentalidades e a desfazer a visão preconceituosa que desvaloriza as vias profissionalizantes. «É preciso desmistificar o estigma do ensino profissional. Ainda existe uma ideia preconcebida de que os cursos profissionais são para aqueles que ‘não conseguem’ seguir o ensino regular. Esta ideia está ultrapassada e é injusta», acentuou o presidente da OERN, Bento Aires.
«Os cursos profissionais são para todos os jovens que queiram enveredar por uma carreira profissional com futuro e sucesso. Devíamos apostar cada vez mais no ensino profissional. Isso implica um trabalho de reflexão partilhado entre as empresas, as escolas e o município. É um trabalho do qual também os pais não devem ficar excluídos. Estes não devem ter medo de apoiar os filhos na escolha do ensino profissional. Os filhos podem estar a construir o futuro em setores dinâmicos e essenciais para o desenvolvimento do país», reiterou o presidente da AECA.
«O reconhecimento e a remuneração são muito importantes»
Concordo que é necessário continuar a desconstruir essa perceção. Acontece muitas vezes os alunos enveredarem por cursos cientifico-humanísticos e, decorrido algum tempo, solicitam a mudança de curso e vão integrar turmas dos cursos profissionais», disse a diretora da escola. «O agrupamento tem feito de tudo para desmistificar essa visão preconceituosa sobre o ensino profissional. Tem envolvido os pais e os Serviços de Psicologia e Orientação (SPO) fazem um grande trabalho de proximidade com os alunos. Os alunos de um curso profissional têm a oportunidade de se emancipar mais cedo porque, terminando o 12º ano - o terceiro ano de formação - podem integrar o mercado de trabalho mais cedo, e muitos fazem-no graças à dupla certificação, académica e profissional, que obtêm. Mas há também que ter em conta a valorização profissional por parte do empregador. O reconhecimento e a remuneração são muito importantes e penso que aqui há ainda algum trabalho a fazer com os empresários. Há alunos que estão bem preparados e há arestas que é preciso limar tendo em vista as melhores oportunidades para todos estes jovens», acrescentou a docente.
Articulação entre Município, Escola e AECA
Cláudia Oliveira, vice-presidente da Câmara de Arouca referiu que o Município e o Agrupamento têm trabalhado em conjunto, envolvendo a Área Metropolitana do Porto e a AECA, para valorizar a aposta no ensino profissional. «Deve continuar a ser aposta a divulgação desta via de ensino, para que os jovens – e as famílias – possam decidir o rumo do futuro em consciência e na posse de toda a informação». «É importante o reconhecimento do valor do ensino secundário profissional dentro das escolas, dando prioridade à empregabilidade e à valorização profissional na oferta formativa deste tipo de ensino. É importante que os pais e encarregados de educação confiem nos cursos profissionais como uma opção viável e promissora para os educandos», frisou a autarca.
Testemunhos dos profissionais
A enriquecedora conferência viveu ainda dos valiosos testemunhos de alguns profissionais (João Oliveira, João Seabra, João Brandão e Vitor Vilar) que narraram a forma como fizeram a transição da escola, e mesmo do ensino superior, para o mercado de trabalho, dando ainda destaque à importância da formação profissional quer na multiplicação de oportunidades no acesso ao emprego, quer no contexto funcional e competitivo das empresas onde trabalham. Um painel final que teve também a presença dos alunos da ESA, Gonçalo Santos e Paulo Pinto, do 12º ano do Curso Profissional de Técnico de Eletrónica e Telecomunicações, premiados no mundial de Robótica para jovens que teve lugar nos Países baixos.
«A AECA estará sempre pronta para apoiar estas iniciativas, porque sabemos que é por aqui que passa o futuro do nosso tecido industrial», reafirmou o presidente da direção da AECA na sessão de encerramento, momento que foi acompanhado pelo vereador da Câmara Municipal para o Empreendedorismo, António Carlos Duarte, que realçou as virtudes da iniciativa que visou contribuir para o encontro de linhas de confluência para o desenvolvimento do município.
Visita aos laboratórios e oficinas da ESA
No final da conferência, a comitiva de participantes, à qual se juntou a presidente da Câmara Municipal, Margarida Belém, deslocou-se às instalações da Escola Secundária de Arouca para realizar uma visita guiada aos laboratórios e às oficinas de formação. Assim terminou uma conferência multifacetada e que foi do mais elevado interesse para a comunidade, afirmando-se mesmo como um dos pontos altos da 80ª edição da Feira das Colheitas.